O GLOBO
August 1, 2008

Um maestro aprendiz aos 60 anos de carreira
Convidado da OSB, Kurt Masur volta ao Brasil, retomando relação iniciada em 1970

Leonardo Lichote

De volta ao Brasil para reger a Orquestra Sinfônica Brasileira (hoje. no Municipal), o maestro alemão Kurt Masur acredita que o país e a OSB que ele encontra agora mantêm uma essência, mas são bem diferentes dos que ele conheceu em 1970, em seu primeiro contato com ambos.

— Vi diferentes governos. os militares, os protestos... Hoje sinto que as coisas estão mais leves. Houve um tempo em que a criminalidade atingiu níveis muito perigosos, mas isso também parece ter melhorado. E os brasileiros se mantêm amáveis, amigáveis. Sempre me senti em casa aqui — diz o maestro, em sua nona visita ao Brasil onde conheceu sua mulher.

Sua relação com a 0513 também é de proximidade. É a 26' vez que ele rege a orquestra— nos últimos anos, convidado por seu amigo Roberto Minczuk, regente titular da OSB.

— Era uma época na qual a OSB não estava em sua melhor forma. A orquestra não tinha dinheiro e estava ameaçada de não continuar. Na ocasião, vim para ajudar porque amo a orquestra, a dedicação dos instrumentistas apesar das dificulda des. Mas agora a situação parece melhor. E o crescimento artístico foi enorme. A nova geração tem muito talento e uma enorme inteligência musical. Além de tocar de forma limpa e segura, eles tocam com um propósito, com compreensão das intenções do compositor.

No repertório, obras de Mahler e Schurnann

O concerto de hoje, que amanhã será apresentado em São Paulo. faz parte da série Ônix Noturna. No programa. estão o "Concerto para piano e orquestra em lá menor, Op. 54", de Schuman ri, e a "Sinfonia n2 1 em ré maior — Titã", de Mahler. Além de Masur, a OSB convidou também o pianista carioca Jean-Louis Steuerman.

— Eu o conheci quando ele foi premiado no Concurso Bach (em 1972)— lembra o maestro.

— Desde então, perdi-o de vista. Agora, reencontrei o e nosso ensaio foi espetacular, tivemos muita afinidade. Seu estilo é impressionante e de grande beleza, especialmente tocando Schumann, que não é fácil.

Aos 60 anos de carreira, Masur se diz um aprendiz:

— Você tem sempre que trabalhar e estudar. O melhor de completar 60 anos de carreira é poder continuar.